Formação | Novos Comunicadores da Fé

Written by  //  30 de abril de 2012  //  Comunicação Social  //  No comments

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Quem se der ao trabalho de estudar a comunicação católica dos últimos 50 anos saberá do rádio, das televisões das revistas, dos discos e dos livros. Verá entre as milhares de publicações e gravações de bispos, sacerdotes e leigos a preocupação de formar consciências, motivar a fé, fomentar e orientar as lideranças católicas para acharem o seu lugar no seu país e no seu tempo.

Nos últimos anos têm sido inúmeros os sacerdotes que, além daquele púlpito vizinho ao altar, optaram por outros púlpitos: cantam, gravam, escrevem, publicam livros, falam no rádio e na televisão, dão shows em estádios e praças e mergulharam de cheio na arte como instrumento a serviço da fé. Também os leigos cantam, escrevem e mergulham de cheio na mídia religiosa, muitíssimos, com excelentes resultados.

Muitos deles são ainda jovens. Sei o quanto é difícil, porque também comecei na mídia do meu tempo aos 27 anos, quando a Igreja possuía apenas revistas, editoras e rádios. A Internet e a televisão e o áudio-livro vieram depois. Fui, porém, um dos que começaram com os palcos e os shows. Aprecia mais porque éramos poucos. Podem imaginar os aplausos, as sombrias previsões e as críticas… Aparecer na televisão e cantar para alguns era coisa de padre mundano e vaidoso. Não é que as coisas tenham mudado muito, mas não deixa de ser um desafio fazer mídia sem fazer média com os donos das mídias.

Soube de uma suave adolescente de 13 anos que criou e mantém, com amigos e amigas da mesma idade, uma emissora de rádio virtual. É alentador! A Internet hoje permite estas iniciativas. Perfeitos? Ninguém. Mas é bom saber que, ousadamente, os novos escritores, cantores e apresentadores de rádio e televisão dão a cara à tapa e arriscam. Num mundo com milhões de ouvidos e olhos que nunca ouviram nem leram sobre Jesus, o púlpito, o sonho e a coragem precisam ser grandes.

O que faz alguém como eu que milito há 45 anos na mídia religiosa? Incentiva! E se houver criticas a fazer? Faz como o velho peão, o velho piloto e o velho marinheiro que alerta contra certo tipo de ondas ou de ventos porque já os enfrentou. Seria falta de caridade saber que um navio pode bater nos arrecifes por estar um pouco fora da rota e não avisar quem o comanda. Mas seria imaturo não aplaudir aquele que vai bem.

É o que tenho feito. Erraria se me omitisse, uma vez que já passei e ainda passo pelas tormentas do comunicar, mas erraria se não visse o lado bom desses novos profetas. E eles sabem disso!

Mas uma coisa é clara: nem eles nem eu estamos com essa bola toda! Mídia é como cavalo xucro: quando pensamos ter as rédeas, ela corcoveia! “Palavra certa, do jeito certo, na hora certa e para a pessoa certa!” Como expressão é até poético. Mas na hora do vamos ver, machuca. Supõe coerência e esta não vem no pacote da missão. Temo que desenvolvê-la com muito aprendizado e muita renúncia, por entre leituras, conselhos, preces e um constante reavaliar! Mas, que é bom saber que há centenas deles freqüentando cursos de comunicação, é! Trata-se de uma ciência. Aulas de comunicação? Um entre mil não precisa delas!…Dou aulas há 30 anos e ainda preciso. Esses dias minha sobrinha me deu três horas de aulas ao teclado de um Macintosh… E eu que pensava que a palavra se escrevia com K…e que hacker se escrevi com “r”. Levarei outras 30 horas se quiser aprender a editar imagens e clips!

Livros? Tenho quinze sobre a mesa, a esperar minha leitura, Zygmunt Bauman e Jean Baudrillard entre eles. Ciência complicada essa tal de Pastoral da Comunicação!

Padre Zézinho scj

 

fonte: site Pe. Zezinho

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